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A Filosofia de Abel no Palmeiras: Da Crítica à Virada de Chave dos Jogadores

Por Redação FutVerdão em 31/08/2025 08:12

A cena pós-jogo no Allianz Parque, após o apito final da recente vitória do Palmeiras sobre o Sport, foi reveladora. Contrariando seu hábito de seguir diretamente para os vestiários, o técnico Abel Ferreira optou por adentrar o campo, estendendo abraços a cada um de seus comandados. Esse gesto, carregado de significado, simbolizou um claro reconhecimento à performance do elenco, que naquele momento celebrava uma notável sequência de cinco jogos sem derrotas.

Tais demonstrações de apoio refletem a abordagem do treinador, que, apesar de admitir sua própria impaciência em certos momentos, prioriza o acolhimento do grupo, visando protegê-lo do peso das críticas externas. Em uma de suas reflexões, Abel questionou: "Como o jogador vai pegar confiança quando em casa teu pai é o primeiro a duvidar de ti?", em uma alusão direta à pressão exercida pela torcida.

Ele prosseguiu, descrevendo os diferentes caminhos que os atletas podem trilhar sob escrutínio: "Uns vão ser amassados, como já foram. Uns não vão conseguir, vão desistir e vamos ter que levar embora. Outros depois de serem bem amassados, vão conseguir dar a volta por cima."

Essa perspectiva de Abel Ferreira se revela crucial para compreender a notável transformação de jogadores como Flaco López e Vitor Roque. Ela ilustra a metodologia empregada pelo Palmeiras para reverter um cenário de vaias em aplausos, em um lapso de apenas três semanas ? período que mediou a dolorosa eliminação na Copa do Brasil e o reencontro com o Corinthians, marcado para as 18h30 (de Brasília) deste domingo, pelo Campeonato Brasileiro.

A Reversão do Cenário: Da Crítica à Ascensão Alviverde

No início do mês, a eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil, justamente para o arquirrival, deflagrou uma onda de descontentamento. As manifestações de reprovação atingiram a diretoria, o treinador e os próprios jogadores, culminando em atos de violência, como o arremesso de artefatos explosivos na Academia de Futebol, evento que atualmente é objeto de investigação policial.

Contudo, a partir desse ponto, Abel Ferreira demonstrou sua capacidade de reajustar a equipe, encontrando um novo equilíbrio tático. O resultado foi a classificação às quartas de final da Libertadores e a manutenção da vice-liderança no Campeonato Brasileiro, consolidando um período de superação coletiva, coroado pela conquista individual de Flaco López , convocado para a seleção argentina.

Flaco, em particular, formou uma parceria ofensiva letal com Vitor Roque . Ambos, que outrora enfrentaram períodos de adversidade e escassez de gols, são agora protagonistas, participando diretamente de oito dos últimos dez tentos anotados pelo Palmeiras na temporada.

Em suas palavras, Abel ressalta a importância da paciência: "É preciso ter paciência. Coisa que às vezes nem eu próprio tenho, quanto mais vocês ou nossos torcedores. Às vezes o fato de eu ser intenso, direto, parece que sou rude. Não. É a minha forma de viver as coisas", explicou o técnico, demonstrando autoconsciência sobre seu estilo.

A Filosofia de Abel no Palmeiras: Da Crítica à Virada de Chave dos Jogadores
Foto: (Cesar Greco/Palmeiras)

O Segredo da Virada: O Suporte Interno e a Paciência Necessária

Ele complementa sua análise, abordando a expectativa sobre os reforços: "Quando o clube contrata esse tipo de jogador é porque acredita neles. Só que parece que têm que ser primeiro amassados pela torcida. Claro que eu fico triste. Estes 50kg que eu dizia que o Roque tinha nas costas têm a ver com a crítica".

A estratégia de proteção é fundamental, como exemplificado por Abel: "Vou dar o exemplo do Felipe Anderson, pela primeira vez aplaudido pela nossa torcida, mas foi preciso um ano para ele entender o que é o Palmeiras ? e jogando do lado esquerdo. É o que muitas vezes fazemos aqui dentro. Não deixar que as narrativas possam envolver. É o que estava a acontecer com o Roque, já estava a acontecer com o Flaco".

O Palmeiras , conforme evidenciado não apenas pelo caso da dupla de atacantes, consolidou-se como uma instituição capaz de assegurar a permanência e o desenvolvimento de seus atletas, mesmo diante de um cenário de críticas. Esse suporte transcende a figura do treinador, manifestando-se no respaldo da diretoria, na atuação da comissão técnica, na oferta de auxílio psicológico e, notavelmente, na liderança dos capitães, que desempenharam um papel crucial no apoio a jogadores como Vitor Roque .

Essa cultura de resiliência está intrinsecamente ligada ao lema frequentemente empregado pela equipe: "pedalamos sempre", um claro indicativo da incessante dedicação ao trabalho. Abel Ferreira reitera essa filosofia: "O que vamos continuar a fazer é olhar pra dentro, continuar a desenvolver nossos jogadores, continuar a dar o carinho que muitas vezes eles precisam, porque quem não gosta de chegar ao final do jogo e ouvir os aplausos que eles ouviram?". Ele conclui com uma reflexão sobre a perseverança: "Mas com paciência, que é uma coisa que hoje ninguém tem, nem mesmo eu às vezes, nem vocês as vezes pra mim. Quando isso acontece e acreditamos nas pessoas, se continuarmos a plantar, semear e regar, mais cedo ou mais tarde a semente cresce."

A Cultura da Perseverança: O "Pedalamos Sempre" no Verdão

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Comentado em 31/08/2025 12:30 Ralação do Abel braba, vamo que vamo!
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Comentado em 31/08/2025 10:20 Abel tá fazendo esse time renascer, paciência é a chave. Flaco e Roque tão demais, vem sequência boa!
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