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Abel Ferreira foca em 2026: raiva, calendário e futuro do Palmeiras

Por Redação FutVerdão em 06/01/2026 20:51

O técnico Abel Ferreira iniciou a temporada de 2026 com declarações contundentes em sua primeira coletiva de imprensa. O comandante português não poupou críticas ao calendário do futebol brasileiro e revelou sentir uma "raiva" construtiva pelas adversidades enfrentadas em 2025.

Apesar de celebrar a marca de cinco anos à frente do Verdão, Abel Ferreira reafirmou seu compromisso e ambição pelo clube. A prioridade agora é a superação e a busca por novas conquistas nesta temporada que se inicia.

"Passou tão rápido. Mas a verdade é que, mais que tudo, é um orgulho, é uma honra poder representar um clube como o Palmeiras. Às vezes manter um casamento de cinco anos é difícil, quanto mais ser treinador de um clube. De qualquer maneira, gosto muito de estar aqui. Eu acho que já disse isto várias vezes. Se calhar sou mais bem tratado com aquilo que me mereço, mas também é fruto dessa relação que fomos criando", declarou o treinador.

Abel Ferreira: Motivação e Superação para 2026

O português enfatizou a necessidade de transformar as experiências passadas em força para o futuro: "Portanto, determino que as frustrações e as ilusões do ano passado, que se transformem em energia, em caráter, em orgulho e alguma raiva também, para que no próximo ano, ou neste ano que agora começa, possamos dar essas alegrias que estamos em dívida não só com vocês, mas também por nós próprios, porque sabemos o quanto nos dedicamos dentro do clube para chegar aos títulos que tanto queremos e que tanto trabalhamos para que isso aconteça."

Desde sua chegada em 2020, Abel Ferreira construiu uma trajetória vitoriosa no Palmeiras . Sua gestão acumula 395 partidas, com um expressivo índice de aproveitamento superior a 70% e a conquista de dez títulos.

Abel Ferreira foca em 2026: raiva, calendário e futuro do Palmeiras
Foto: (Fabio Menotti / Palmeiras)

Críticas ao Calendário e à FPF

Abel Ferreira direcionou críticas à Federação Paulista de Futebol (FPF), apontando a falta de sensatez na organização do calendário, especialmente em relação à saúde dos atletas. Ele destacou o descompasso entre equipes que terminam suas temporadas mais tarde e outras que iniciam a preparação para a temporada seguinte com antecedência. "Olha, eu não posso deixar de fazer uma crítica construtiva à Federação Paulista de Futebol, tendo em conta algumas equipas e algumas não palmeiras até ficaram até mais tarde ainda a competir e não me parece sensato e que cuide da saúde dos jogadores, no final de uma semana, tu tens o primeiro jogo oficial, é quando tens outros clubes que estão a preparar-se desde novembro e dezembro. Não acho que seja justo, mas é algo que devemos pensar e refletir."

O treinador ressaltou a importância de períodos adequados de descanso e recuperação para os jogadores, que realizam onze meses de alta competição. Ele comparou a situação com os principais campeonatos internacionais, onde os atletas geralmente dispõem de três a quatro semanas para se preparar para o início oficial da temporada. "Mas o Palmeiras também vai fazer como sempre faz, o treinador do Palmeiras vai fazer como sempre tem feito. Usar todos os recursos que tem para aproveitar esta parte, porque sabemos que os jogadores vêm num período de férias de sensivelmente 30 dias. Ao final de 30 dias, porque é tão importante os jogadores fazerem 11 meses de alta competição, de alta intensidade, de alto risco, de viagens, de cometer também um período que eles possam desligar para recuperar baterias e dedicar tempo a outra parte da nossa vida, que também é importante, a nossa família, a nossa outra parte, e ao final de uma semana, tu tens logo um jogo oficial, é algo que nós temos que rever, nos maiores campeonatos do mundo, normalmente temos três a quatro semanas para preparar o primeiro jogo oficial."

Apesar dos desafios impostos pelo calendário, Abel Ferreira assegurou que a equipe se adaptará e buscará soluções: "De qualquer maneira, temos que meter isso, temos que nos adaptar, temos que arranjar soluções e temos que aproveitar este período para também carregar as baterias aos nossos jogadores, dar oportunidade a todos os jogadores também de poder jogar, porque vai ser humanamente impossível escolher uma equipa e começar já a estourar a equipa para aquilo que será uma época longa e desgastante."

Ele também enfatizou o valor do Campeonato Paulista para o clube, equiparando sua dificuldade à de uma Copa Libertadores. "Mas eu acho que também o Palmeiras , nas últimas competições do Paulista, deu sempre provas daquilo que significa esta competição para nós. Aliás, dá o mesmo trabalho ganhar o Paulista como dá o trabalho ganhar uma Libertadores, na minha opinião. Claro que para quem é torcedor e para quem gosta possa pensar de forma diferente, mas a mim dá-me exatamente o mesmo trabalho. Portanto, encarar esta competição como sempre fazemos, prepará-la também no sentido de carregar as baterias aos nossos jogadores, E como sempre fazemos, entrar em todos os jogos com a mentalidade de jogar para ganhar até o último segundo."

A Construção de um Legado e a Relação com o Palmeiras

Abel Ferreira destacou a forte relação construída com o Palmeiras ao longo dos anos, não apenas com a torcida, mas também com a diretoria, comissão técnica e jogadores. Ele reiterou sua visão de ser um "treinador de projeto" e de "relações", enfatizando a coerência mantida durante sua passagem pelo clube.

"Eu acho que os torcedores mais atentos e que seguem o clube foram percebendo que ao longo desses anos fomos construindo uma relação. Não só dos torcedores, mas também entre o treinador e a diretoria, entre o treinador e a comissão, entre o treinador e os jogadores. Falei-vos há dois, três anos que ser palmeirense era um estilo de vida. Se vocês prestarem atenção a muitas declarações que fomos fazendo, ou que fui fazendo, vocês conseguem constatar isso. Como disse neste mesmo local, que era um treinador de projeto, era um treinador de relações, portanto, em relação a isso, a coerência foi sempre mantida e não posso não deixar de dizer, para além daquilo que é a família Palmeiras , a vinda da minha família para o Brasil, há três anos, quando mais uma vez fomos criando relações e raízes, não só no Brasil, não só no São Paulo, mas na família Palmeiras ."

A decisão de permanecer no clube é fundamentada no reconhecimento, nas condições oferecidas, na participação ativa nas decisões do futebol e na estabilidade que o projeto proporciona, algo cada vez mais raro no cenário do futebol atual, onde a demissão de treinadores se tornou frequente. "E depois, quando tu querias este tipo de relações, quando estás num clube onde te reconhece, onde te dá todas as condições, onde tu participas naquilo que é a dinâmica e naquilo que são as decisões para o futebol, e olhando para os dias de hoje, onde, por exemplo, a Inglaterra já parece mais Brasil naquilo que tem a ver com a demissão de treinadores, logicamente que isso é fundamental E para mim, como treinador e como disse, treinador de projeto, é fundamental perceber o clube onde estou, o projeto onde eu estou, as pessoas com quem eu trabalho, e vocês que estão aqui comigo diariamente, que me conhecem, e disse isso várias vezes, é muito difícil sair de um clube quando tu tens estas condições todas reunidas, e a principal de todas, que é aquilo que me mexe, aquilo que me move, é poder lutar por títulos."

Apesar dos vice-campeonatos na Copa do Brasil, Abel Ferreira vê esses resultados como um indicativo da força e preparo da equipe. Ele também elogiou a capacidade do Palmeiras em realizar reformulações no elenco, como a saída de 17 jogadores e a chegada de 11, mantendo o alto nível competitivo e a saúde financeira do clube. "Esta equipa demonstrou em quase todas as competições, tirando a Copa do Brasil. Sei que é duro, sei que é frustrante ficar em vice três vezes, mas, ao mesmo tempo diz-me a mim, enquanto treinador, e dá-me sinais de que esta equipa está pronta, está preparada. E não é muito fácil tomar decisões quando tu tens uma equipe que é extremamente vencedora e durante um período onde a equipa é vencedora, fazes a reformulação que o Palmeiras fez ou que fizemos no ano anterior, 17 saídas e 11 entradas, e mesmo assim conseguires estar a competir na maioria das competições até o fim, mesmo vendendo jogadores importantes naquilo que era a dinâmica da equipa, mas percebendo também aquilo que é a nossa saúde financeira e um treinador atualmente tem que entender o futebol como um todo."

Para Abel, a gestão e a dinâmica de um clube de futebol são tão importantes quanto o aspecto esportivo, e o Palmeiras se destaca nesse quesito, cumprindo e honrando suas responsabilidades. "Não podes olhar só para aquilo que é o aspecto esportivo, mas aquilo que é a dinâmica de um clube de futebol e a sua própria gestão. E, nisso, o Palmeiras é uma equipa absolutamente extraordinária porque é uma equipa que cumpre e honra todas as suas responsabilidades."

O treinador expressou seu orgulho em fazer parte de um clube de prestígio e que almeja títulos, reconhecendo o crescimento mútuo entre ele e a grandeza do Palmeiras . "E, logicamente, para um treinador como eu é um orgulho muito grande poder pertencer um clube com prestígio, um clube que luta por títulos, e acho que houve aqui um crescimento mútuo, eu como treinador, e juntamente com aquilo que é a grandeza do Palmeiras , e eu particularmente sinto-me muito honrado e prestigiado de poder representar um clube com esta dimensão, não só nacional, mas também internacional, E juntos, várias vezes, podemos dar muitas alegrias àquilo que é o nosso torcedor e é para isso que nós trabalhamos todos os dias."

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