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Grupo Fictor: Patrocinador do Palmeiras Investigado pela PF por Esquema de Fraudes Bancárias de R$ 500 Milhões
Por Redação FutVerdão em 25/03/2026 13:52
A relação entre o Palmeiras e o Grupo Fictor, que encerrou há menos de dois meses, ganhou contornos ainda mais complexos. O CEO e fundador da holding, Rafael Góis, figura central na investigação da Polícia Federal, que desvendou um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, cujos valores ultrapassam a marca de R$ 500 milhões. A descoberta lança uma nova luz sobre o acordo de patrocínio que ligou a empresa ao clube paulista.
O contrato estabelecido previa um aporte financeiro anual de R$ 25 milhões ao Verdão. Essa verba seria destinada à exibição da marca do Grupo Fictor na parte traseira dos uniformes das equipes principal, masculina e feminina, além de ocupar a propriedade máster e a parte de trás das vestimentas das categorias de base. O potencial de ganhos para o clube poderia ascender a R$ 30 milhões, condicionado ao atingimento de metas e bônus estipulados.
Impacto da Recuperação Judicial no Acordo
O vínculo entre Palmeiras e Fictor tinha validade de três anos e incluía ainda os direitos de nomeação de um torneio sub-17 organizado pelo clube, que passou a ser denominado Copa Fictor. Contudo, o grupo, enfrentando dívidas monumentais de R$ 4,2 bilhões, protocolou um pedido de recuperação judicial junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Diante desse cenário, o clube justificou a rescisão contratual com base em "inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo", conforme previsto nas cláusulas acordadas.
A Fictor, por sua vez, possui uma pendência financeira com o Palmeiras no valor de R$ 2,6 milhões. Essa quantia, declarada pela empresa em seu pedido de recuperação judicial, refere-se a uma parcela de patrocínio e a bonificações por desempenho esportivo que não foram honradas em janeiro. O clube, ao ser contatado, optou por não tecer comentários adicionais sobre o caso, mas indicou que analisa a adoção de medidas legais cabíveis.
Envolvimento com o Banco Master e Busca por Solidez Financeira
As investigações da Polícia Federal apontam para uma tentativa do Grupo Fictor de adquirir o Banco Master. Em novembro de 2025, a empresa anunciou um acordo para a compra da instituição financeira de Daniel Vorcaro, em parceria com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, o Banco Central interveio no dia seguinte, promovendo a liquidação do Master e desfazendo o negócio.
O grupo empresarial buscou a suspensão e o bloqueio de suas dívidas por um período de 180 dias, tanto para a Fictor Holding quanto para a Fictor Invest. Em comunicado à época, a empresa declarou sua intenção de quitar todos os débitos sem a necessidade de deságio, focando em negociações de prazos. "A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável", afirmou a Fictor em sua nota oficial.
Operação da Polícia Federal Revela Esquema Criminoso
A operação deflagrada na manhã desta quarta-feira, 25, resultou no cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva. As ordens judiciais, expedidas pela Justiça Federal de São Paulo, foram cumpridas em diversas cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Além de Rafael Góis, seu ex-sócio Luiz Rubini também foi alvo de buscas.
A investigação, iniciada em 2024, identificou indícios de um esquema sofisticado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais. O modus operandi envolvia a cooptação de funcionários de instituições financeiras e a utilização de empresas de fachada, muitas delas vinculadas ao próprio grupo econômico, para dar curso a recursos de origem ilícita. As autoridades indicam que parte desses valores possuía ligação com facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV).
Estrutura e Mecanismos do Esquema
Os criminosos organizavam suas atividades através da criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias. Essas empresas apresentavam características padronizadas, como capital social simulado, objeto social genérico e a figura de um único sócio, com o objetivo de obter crédito de forma fraudulenta junto a instituições financeiras. A investigação apurou que os dirigentes do Grupo Fictor desempenhavam um papel crucial como núcleo de sustentação financeira e operacional, atuando como um pilar estruturante para o funcionamento da organização criminosa.
A atuação do grupo consistia em injetar recursos para simular movimentações financeiras entre empresas associadas à organização. Um dos métodos empregados era o pagamento cruzado de boletos, criando uma ilusão de liquidez e saúde financeira. Adicionalmente, o grupo também se dedicava à criação e gestão de empresas de fachada, reforçando a complexidade do esquema.
Até o momento, o Grupo Fictor não emitiu pronunciamento oficial sobre a operação policial. As defesas de Luiz Rubini e Rafael Góis também não foram localizadas para comentar o caso.
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