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Palmeiras: Dérbi, Protesto e a Visão dos Colunistas sobre o 'Pipocar' do Verdão
Por Redação FutVerdão em 06/08/2025 11:31
O ambiente que precede um Dérbi sempre é carregado de expectativa e, por vezes, de uma pressão que transcende o campo de jogo. Recentemente, a torcida alviverde protagonizou um ato de cobrança que gerou ampla discussão, envolvendo símbolos como leite Ninho, Nutella e pipoca, em uma clara alusão à suposta falta de "garra" ou "espírito de luta" do time em confrontos decisivos contra o arquirrival.
Essa manifestação, ocorrida antes do embate pela Copa do Brasil, dividiu opiniões entre analistas esportivos. No programa UOL News Esporte, os colunistas Walter Casagrande, Danilo Lavieri e Mauro Cezar Pereira abordaram o tema, trazendo perspectivas distintas sobre a real situação do Palmeiras em clássicos e o impacto de tal protesto no elenco.
A Contundência do Protesto e a Resposta do Elenco
Para Walter Casagrande, a cobrança da torcida alviverde na véspera do Dérbi se mostrou "bem pesada, bem significativa." Ele ressaltou que a escolha de termos como "pipoca", "Nutella" e "leite Ninho" visa ofender o jogador, questionando sua determinação e combatividade. Segundo Casagrande, essas palavras evocam a ideia de que o atleta "não tem raça, que não divide, que não tem espírito de luta."
Ontem, essa cobrança, essa crítica da torcida é bem pesada, bem significativa. A torcida colocou Nutella, pipoca... Se você quiser ofender o jogador, é você chamar de pipoca, falar que o cara não tem raça, que não divide, que não tem espírito de luta. É uma cobrança que você não sabe se consegue tirar isso do grupo. Você não sabe se um determinado grupo tem muito mais a tirar nessa questão de encarar um jogo como se fosse uma final de Copa do Mundo. O Corinthians não tem uma equipe forte, é uma equipe média, não está fazendo um ano legal - apesar do título paulista, foi eliminado na pré-Libertadores, foi eliminado na Sul-Americana e não está bem no Brasileiro -, mas tem espírito de luta e encara o jogo com o Palmeiras como uma final de Copa. Eu acho hipernegativo isso que aconteceu no Palmeiras ontem.
O colunista expressou preocupação sobre a capacidade de um grupo de jogadores de superar uma cobrança tão incisiva, especialmente quando se trata de transformar um clássico em uma verdadeira "final de Copa do Mundo" em termos de intensidade. Ele contrastou a situação do Palmeiras com a do Corinthians, que, apesar de ser uma "equipe média" e de um ano irregular, demonstra um inegável "espírito de luta" nos confrontos diretos.
Divergências sobre a Reação dos Atletas
Danilo Lavieri, por outro lado, apresentou uma visão mais matizada sobre o impacto do protesto. Embora reconheça que a pressão recai sobre o Palmeiras , especialmente após a derrota no jogo de ida e a necessidade de uma resposta em casa, ele discorda de Casagrande quanto à universalidade da ofensa. Para Lavieri, a reação a ser chamado de "Nutella" ou "pipoca" é "muito pessoal", e nem todo jogador se sentiria ofendido; alguns, inclusive, poderiam "até dar risada."
A pressão está do lado do Palmeiras porque perdeu o jogo de ida e vai jogar em casa, precisa dar uma resposta para sua torcida, mas eu discordo do Casão na parte do protesto. Isso é muito pessoal, tem jogador que vai se sentir ofendido por ter sido chamado de Nutella, de pipoca, de leite Ninho, mas tem jogador que não vai ligar, vai até dar risada. Eu, particularmente, quando vi aquilo no protesto do Palmeiras, não achei problemático. Tinha lá umas faixas, 'faca nos dentes', 'tem que ter raiva do Corinthians', pedindo vontade, que é o sentimento da torcida em relação ao Palmeiras no último ano no Dérbi, quando o Palmeiras ganhou uma das seis. Se você olhar o histórico geral do Abel, o Palmeiras passa por cima do Corinthians normalmente nos cinco anos que o Abel está aqui. Mas nesses últimos seis jogos, o Corinthians leva vantagem. Então, eu não me sentiria ofendido caso fosse jogador.
Lavieri ponderou que o protesto, com suas faixas pedindo "faca nos dentes" e "raiva do Corinthians", reflete o sentimento da torcida diante do retrospecto recente no Dérbi, onde o Palmeiras venceu apenas uma das últimas seis partidas. No entanto, ele contrapôs isso ao histórico geral da era Abel Ferreira, na qual o Palmeiras tem um domínio mais expressivo sobre o rival.
A Percepção do Desespero e a Prioridade de Títulos
Mauro Cezar Pereira foi ainda mais crítico em relação ao protesto, classificando-o como "sem sentido." Ele questionou a necessidade de tal manifestação, considerando a sólida situação do Palmeiras em outras competições, como a Libertadores, onde o clube ostenta uma campanha forte, e o Campeonato Brasileiro. O Dérbi da Copa do Brasil, apesar de sua relevância, exigia do Palmeiras apenas uma vitória por um gol para levar a decisão aos pênaltis ou dois para a classificação direta, sem ter sido "surrado" ou "humilhado" no jogo de ida.
Acho sem sentido. Por que protesto? Qual é a situação do Palmeiras? Está na Libertadores com campanha muito boa, está bem no Brasileiro e precisa vencer o Corinthians em casa por um gol para levar aos pênaltis e por dois para se classificar. É o seu grande rival. Perdeu um jogo por 1 a 0, um jogo que não foi surrado, não foi humilhado, o Palmeiras teve oportunidades, não conseguiu aproveitar, mas protesto? Acho totalmente sem sentido. Esse confronto é mais importante para o Corinthians do que para o Palmeiras ? um deles só tem um caminho, que é tentar avançar na Copa do Brasil; o outro tem três opções de brigar por títulos, duas delas com títulos mais pesados do que o desse torneio ? e, de repente, o Palmeiras parece desesperado, põe 11 reservas, poupa até o goleiro no Campeonato Brasileiro, a torcida faz protesto. É um cenário muito bom para o Corinthians, né? A situação do Corinthians é uma situação angustiante e até desesperadora. A do Palmeiras, não. De repente, o Palmeiras é que está desesperado. O Palmeiras errou na mão, perdeu o controle, e o maior sinal disso foi a escalação contra o Vitória. A mensagem foi assim: 'só penso em você, Corinthians, minha obsessão é te ganhar, não penso em outra coisa'. É demais.
Para Mauro Cezar, o confronto pela Copa do Brasil carregava um peso maior para o Corinthians, que via no torneio uma das poucas chances de título, enquanto o Palmeiras ainda disputava competições consideradas mais prestigiosas. A decisão do Palmeiras de poupar todo o time titular, incluindo o goleiro, em uma partida do Campeonato Brasileiro antes do Dérbi, foi vista pelo colunista como um sinal de que o clube "errou na mão, perdeu o controle," transmitindo uma mensagem de "só penso em você, Corinthians, minha obsessão é te ganhar, não penso em outra coisa," o que, para ele, é excessivo e cria um cenário favorável ao rival.
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