1. FutVerdão

Palmeiras domina mercado e deixa rival para tras em vendas da base

Por Redação FutVerdão em 25/08/2026 10:55

O abismo que separa a gestão das categorias de base de Palmeiras e Flamengo fica evidente quando analisamos trajetórias individuais de atletas que passaram por ambos os lados. O caso de Richard Ríos é emblemático desse cenário. Descartado pelo clube carioca e repassado ao Guarani por irrisórios R$ 1,87 milhão, o meio-campista colombiano alcançou maturidade no Allianz Parque, transformou-se em peça de seleção nacional e acabou gerando uma transferência ao Benfica que rendeu R$ 140 milhões ao Palmeiras .

Essa disparidade reflete diretamente a forma como os jovens talentos são aproveitados no elenco principal de cada agremiação. Enquanto o Palmeiras promove suas joias a protagonistas imediatos ? como ocorreu nos casos de Estêvão, Allan e Endrick ?, o rival do Rio de Janeiro demonstra enorme dificuldade em consolidar seus jovens no setor ofensivo. No atual elenco rubro-negro, dominado por contratações robustas e de grife, o volante Evertton Araújo é quem encontra algum espaço, ainda que na condição de reserva.

A diferenca de gestao de talentos entre Palmeiras e Flamengo

A incapacidade do adversário em dar rodagem e consistência aos seus valores da base se reflete no retorno financeiro de suas negociações. O atacante Matheus França, por exemplo, foi transferido em 2023 por R$ 126 milhões, porém passou longe de apresentar a regularidade técnica vista nos garotos formados na Academia de Futebol. Mais recentemente, em 2026, Ryan Roberto rumou para o Shakhtar Donetsk por R$ 56 milhões com uma amostragem quase nula no time profissional, tendo atuado apenas quando o clube carioca utilizou o sub-20 no torneio estadual.

Para tentar estancar essa desvantagem esportiva e financeira, a diretoria flamenguista chefiada por Bap tentou, de forma frustrada, contratar o diretor das divisões de base do Palmeiras , João Paulo Sampaio. Diante da recusa do profissional palmeirense em deixar o projeto vitorioso em São Paulo, os cariocas entregaram o departamento a Alfredo Almeida, português que trabalha em conjunto com o diretor de futebol José Boto.

A nova gestão do clube da Gávea adota agora uma postura agressiva no mercado de captação de jovens em centros menores e no exterior, como a recente contratação do lateral-esquerdo Miguel Távora, de 18 anos, ex-Operário-PR. O objetivo é criar ativos para o futuro sob uma lógica puramente financeira, conforme explicado pelo próprio mandatário carioca ao detalhar o planejamento estratégico:

"A gente não espera um ano brilhante em 2026, mas em 2027 a gente vem voando baixo. Estamos contratando pontualmente garotos que acreditamos que possam estourar. A ideia é comprar oito, dez garotos desses para posições do time profissional e que tem carência no mercado. É um conceito de banqueiro de investimento. Se um estourar, pagou por todos os outros"

Os numeros bilionarios que consolidam a hegemonia do Palmeiras

Quando analisamos a planilha financeira fria das duas potências nacionais, a distância técnica e estratégica fica ainda mais evidente. No recorte que compreende as temporadas de 2023, 2024 e 2025, o Palmeiras obteve um faturamento de R$ 1,5 bilhão com transações de atletas. Desse montante, a venda de jogadores formados na própria base representou mais de R$ 1 bilhão, equivalendo a 73% de toda a receita do setor. No mesmo período, o Flamengo registrou R$ 966 milhões em transferências, com os jovens do Ninho correspondendo a 62% do total.

No acumulado mais amplo de 2019 a 2025, corrigido pelo IPCA, o Palmeiras já superava o rival com R$ 2,21 bilhões arrecadados contra R$ 2,17 bilhões dos cariocas ? isso sem contar a milionária transferência recente do volante Allan .

A tabela abaixo detalha o desempenho financeiro das transferências no triênio recente de comparação direta:

Clube Faturamento Total (R$) Participação da Base (%) Faturamento com a Base (R$)
Palmeiras 1,5 bilhão 73% Mais de 1 bilhão
Flamengo 966 milhões 62% Aproximadamente 599 milhões

O perfil de vendas do rival carioca também se mostra irregular ao longo do tempo. Embora tenham alcançado cifras elevadas no passado com Vinicius Junior, Lucas Paquetá e Reinier, as vendas recentes tornaram-se inconstantes. Entre 2019 e 2026, o Flamengo registrou 50 transações de atletas da base em seu balanço, somando R$ 1,2 bilhão, o que gera uma média modesta de R$ 24 milhões por atleta. Fora da base, o clube carioca arrecadou R$ 644,5 milhões, impulsionado pelas duas negociações envolvendo Gerson, que somaram R$ 281,8 milhões.

A venda de Allan ao Manchester City sela a soberania alviverde

A recente transferência de Allan para o Manchester City por ? 40 milhões (cerca de R$ 240 milhões) chancela de forma definitiva a soberania alviverde no mercado de transferências internacionais. O jovem se junta a uma seleta lista de atletas formados na Academia que superaram a barreira dos R$ 100 milhões em negociações recentes, como Endrick , Estêvão , Luís Guilherme e Vitor Reis.

Enquanto o rival carioca concentrou R$ 670 milhões de seu faturamento em apenas cinco grandes vendas de sua base (Wesley, Paquetá, Reinier, Matheus França e João Gomes), o Palmeiras já registrava mais de R$ 800 milhões apenas com seu top 5 de vendas da base entre 2019 e 2025. A saída de Allan em 2026 alarga ainda mais essa distância financeira favorável ao lado paulista.

Embora ambos os clubes desfrutem de saúde financeira robusta que lhes permite negociar sem pressa na mesa de discussões, a estratégia de transição do Palmeiras se mostra muito mais eficiente. Ao passo que o Flamengo lida com um elenco de média de idade elevada e busca rejuvenescer seu grupo com atletas de até 26 anos visando revenda futura, o Verdão demonstra que o equilíbrio perfeito entre conquistas esportivas e saúde financeira reside na valorização e utilização imediata de suas joias da base.

Curtiu esse post?

Participe e suba no rank de membros

Comentários:
Ranking Membros em destaque
Rank Nome pontos