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Palmeiras envolvido em processo judicial pela morte de torcedora Gabriella Anelli
Por Redação FutVerdão em 12/02/2026 18:21
A esfera judicial em São Paulo deu um passo significativo ao acolher a solicitação do Governo do Estado, determinando que o Palmeiras passe a figurar como parte processual na ação referente à morte da torcedora Gabriella Anelli. O trágico evento ocorreu em 8 de julho de 2023, nas imediações do Allianz Parque, precedendo o confronto contra o Flamengo. Esta decisão insere formalmente o clube no polo passivo do processo em questão.
A iniciativa judicial partiu de Felipe Anelli Marchiano, irmão da vítima, que busca uma reparação por danos morais no montante de R$ 1 milhão, acrescido de R$ 150 mil destinados a honorários advocatícios. Inicialmente, a querela judicial visava apenas o Estado de São Paulo, apontado por supostas falhas na segurança pública no dia do jogo.
Responsabilização do Clube Mandante em Foco
Contudo, o governo estadual apresentou à Justiça um pedido para que o Palmeiras também fosse considerado responsável, argumentando que o clube detinha o mando de campo. Na fundamentação de sua petição, o Estado baseou-se na legislação vigente, que atribui à entidade esportiva organizadora do evento a responsabilidade objetiva por quaisquer danos decorrentes de falhas na segurança, desde o período prévio ao evento até sua conclusão.
De acordo com a perspectiva governamental, incidentes ocorridos no entorno do estádio, quando intrinsecamente ligados ao evento esportivo, devem ser compreendidos como de responsabilidade direta do clube que detinha a condição de mandante. A argumentação prossegue, enfatizando que o plano de segurança da partida é uma prerrogativa do Palmeiras , com a colaboração dos órgãos públicos, e não uma transferência integral da obrigação de evitar imprevistos.
Detalhes da Segurança e Investigação
O Estado ressaltou que as forças de segurança pública atuam em caráter de apoio à organização do evento, não assumindo isoladamente o dever de prevenir intercorrências. A Polícia Militar, por sua vez, informou ter mobilizado 115 agentes para o policiamento específico da partida. No entanto, o governo estadual salientou a existência de registros visuais que indicariam deficiências tanto no contingente policial quanto na atuação dos seguranças privados, estes últimos contratados pelo próprio Palmeiras e incumbidos de tarefas como a abertura de portões e o controle de acesso ao estádio.
Com base nesses elementos, o tribunal acatou a solicitação do Estado, formalizando a inclusão do clube alviverde no processo. Questionado pela ESPN, o Palmeiras optou por não emitir declarações sobre o caso.
Reincidência de Ações e Narrativa Familiar
Vale notar que Felipe Anelli Marchiano já havia instaurado uma ação contra o Palmeiras no final de 2024, mas retirou o processo pouco tempo depois, sem, contudo, expor publicamente os motivos que o levaram a tal decisão. Na ação atualmente em curso, ele relata que Gabriella, membro de uma torcida organizada do Palmeiras , dirigia-se ao Allianz Parque para assistir ao jogo contra o Flamengo. Segundo o relato, na entrada do estádio, os portões que segregavam as torcidas foram abertos, o que teria deflagrado a confusão culminando na tragédia.
Na peça processual, o irmão da vítima imputa ao Estado a culpa por omissão, alegando negligência na alocação de agentes de segurança no momento crítico do conflito. Ele afirma que não havia viaturas disponíveis nem a presença da Polícia Militar do Choque no local quando as torcidas rivais se encontraram, o que, em sua visão, poderia ter evitado o desfecho fatal.
Identificação do Autor e Condenação
Gabriella Anelli foi atingida no pescoço por estilhaços de uma garrafa de vidro horas antes da partida. De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o objeto foi arremessado por Jonathan Messias Santos da Silva, torcedor do Flamengo. Ele foi detido, julgado e condenado em maio do ano passado a 14 anos de prisão em regime fechado.
A sentença foi proferida pela juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri do Foro Central Criminal de São Paulo. Conforme informações da Polícia Civil, Jonathan conseguiu acessar o setor visitante do Allianz Parque após a confusão registrada nos arredores do estádio. A identificação do autor do crime foi viabilizada por meio de imagens do sistema de reconhecimento facial da arena palmeirense, bem como por registros de câmeras da ESPN, conforme relatado pela delegada Ivalda Aleixo, responsável pela investigação.
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