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Raphael Veiga se junta a brasileiros no México; veja o domínio argentino

Por Redação FutVerdão em 02/02/2026 05:51

O América do México, reconhecido como uma das instituições financeiramente mais robustas do país, oficializou a aquisição de um dos mais proeminentes meio-campistas do cenário brasileiro recente: Raphael Veiga, proveniente do Palmeiras. O clube investirá US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 8 milhões) para garantir o empréstimo do jogador até o final do ano, com a opção de compra fixada em US$ 6 milhões (cerca de R$ 32 milhões).

Com essa movimentação, Veiga se junta a um contingente de outros 17 compatriotas que atualmente atuam no futebol mexicano. A liga do país demonstra um valor de mercado considerável, aproximando-se dos US$ 3 bilhões em valor total, conforme indicam dados da temporada passada compilados pela plataforma 'El Míster'.

Mercado Mexicano em Ascensão e o Fluxo de Talentos Brasileiros

Essa força econômica se traduz diretamente na capacidade de contratação dos clubes da liga, que em 2023 ostentava o posto de segunda mais bem remunerada da América, superada apenas pelo Brasil, segundo informações da Fifa. O salário médio anual na liga mexicana alcançava US$ 402.000 (aproximadamente R$ 2,2 milhões na cotação atual).

O resultado direto dessa prosperidade é a crescente presença de atletas estrangeiros na primeira divisão. Atualmente, 172 jogadores de outras nacionalidades integram os elencos. No América, Raphael Veiga reencontrará o volante Rodrigo Dourado, ex-jogador do Internacional. Contudo, a hegemonia na liga pertence aos argentinos, que somam 40 jogadores, seguidos por colombianos (25) e uruguaios (17).

Raphael Veiga se junta a brasileiros no México; veja o domínio argentino
Foto: (Divulgação)

Investimentos Estratégicos e o Papel da Roc Nation Sports

Nos últimos anos, o futebol mexicano testemunhou transações de alto calibre, incluindo a ida de jogadores da Premier League para a liga local. Um exemplo notório foi a negociação do zagueiro Samir, formado no Flamengo, que deixou o Watford para se juntar ao Tigres em agosto de 2022.

Similarmente, o atacante Léo Bonatini, com passagem pelo Cruzeiro, trocou o Wolverhampton pelo San Luis em 2022. Na temporada passada, o Tigres novamente se destacou ao contratar os brasileiros Joaquim, ex-Santos, e Rômulo, ex-Internacional.

Todas essas movimentações foram orquestradas pela Roc Nation Sports, proeminente empresa de entretenimento norte-americana liderada pelo cantor Jay-Z. A companhia, reconhecida mundialmente na gestão de atletas, também representa o jovem e promissor atacante Armando González, do Chivas e da seleção mexicana, com apenas 22 anos.

"O futebol é, sem dúvida, o esporte mais popular no México, e a economia do país experimentou um crescimento expressivo nas últimas décadas. Além disso, a prosperidade de muitos mexicanos nos Estados Unidos gera uma audiência significativa por lá. Vale ressaltar que a maioria dos grandes clubes mexicanos pertence a conglomerados empresariais e já opera com profissionalismo há bastante tempo, sendo reconhecidos globalmente como bons pagadores, o que facilita a decisão dos atletas em se mudarem para o país", pontua Renato Martinez, vice-presidente da Roc Nation Sports.

A Liga MX em Transformação e a Busca por Governança

O desenvolvimento do futebol mexicano também é impulsionado por estratégias que incluem a vinda de estrelas como Messi para os Estados Unidos. Isso se deve, em parte, à Leagues Cup, um torneio que une os principais clubes de ambos os países, promovendo confrontos de relevância e elevando a audiência e o engajamento em torno da competição.

O torneio reúne 47 equipes, incluindo os campeões da MLS Cup e da Liga MX. Os demais 45 clubes são divididos em grupos de três, competindo por vagas nas fases eliminatórias. Foi justamente nesta competição que Messi fez sua estreia em disputas "internacionais" há alguns anos.

"É um mercado robusto e bem organizado, que conta com profissionais de alto nível em diversas áreas, não apenas dentro de campo. O fato de operarem também com a moeda americana representa um diferencial significativo no mercado", complementa Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.

A Liga Mexicana está passando por uma reestruturação que visa aprimorar o modelo de gestão dos clubes e prepará-los ainda mais para a entrada de novos mercados, com a implementação de regras claras de governança.

Investimentos Externos e a Nova Dinâmica da Liga

Recentemente, o Querétaro foi adquirido por um grupo de investidores liderado por Marc Spiegel, fundador e sócio-gerente da firma de investimentos Innovatio Capital. O negócio avaliou o clube em mais de US$ 120 milhões (aproximadamente R$ 667,2 milhões), de acordo com informações da Forbes.

A principal motivação por trás dessas negociações, segundo a publicação, está ligada a um investimento de grande magnitude que está em negociação entre a Liga MX e a Apollo Global Management. A empresa de private equity propôs um aporte de US$ 1,25 bilhão em troca de uma participação nos lucros futuros provenientes dos direitos de mídia. A adoção de uma governança corporativa mais sólida é um fator crucial nessas negociações, incentivando clubes como o Querétaro a anteciparem suas vendas.

Um acordo com a Apollo Global Management pode trazer benefícios de longo prazo para os investidores da Liga MX. A reestruturação dos direitos de mídia e patrocínios é um dos objetivos da Apollo, que busca centralizar esses contratos sob uma única entidade comercial. Um novo pacote de direitos de mídia tem o potencial de impulsionar significativamente as receitas e a valorização dos clubes, alinhando a Liga MX com outros grandes campeonatos esportivos globais.

Essas transações visam resolver um problema de participação cruzada dentro da Liga MX, onde quatro grupos detinham participações em dois times rivais simultaneamente: Grupo Caliente (dono do Querétaro e do Tijuana), Grupo Orlegi (Atlas e Santos Laguna), Grupo Pachuca (León e Pachuca) e Grupo Salinas (Mazatlán e uma parte do Puebla). A eliminação desses conflitos de interesse estaria em conformidade com as regras da Fifa, que proíbem que múltiplos clubes sob o mesmo proprietário participem de competições interligadas.

"Quando uma liga começa a atrair investimentos em larga escala, como ocorre atualmente no México, a exigência por governança se torna inevitável. Operações estruturadas e investimentos relevantes só se concretizam quando a liga tem controle sobre a principal competição nacional, garantindo maior transparência e segurança jurídica para os investidores", explica Cristiano Caús, advogado especializado em direito esportivo e sócio do CCLA Advogados.

Os aportes financeiros decorrem dessa organização, avalia Talita Garcez, especialista em direito desportivo e sócia do Garcez Advogados e Associados. "A eliminação das participações cruzadas, por exemplo, está diretamente alinhada às normas de integridade competitiva da Fifa. Ao corrigir esses desvios estruturais, a liga reduz riscos jurídicos, fortalece a segurança contratual e estabelece bases mais sólidas para operações dessa natureza."

A Possibilidade de Clubes Mexicanos e Americanos na Libertadores

A discussão sobre a participação de times dos Estados Unidos e do México na Libertadores ganhou força após recentes declarações de Jorge Mas, um dos proprietários do Inter Miami, clube de Lionel Messi. Ele revelou ter conversado com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, sobre a possibilidade de os campeões de ambos os países disputarem o torneio sul-americano.

Durante as comemorações dos 10 anos de gestão do presidente Alejandro Domínguez à frente da Conmebol, em Luque, no Paraguai, o próprio mandatário declarou que "as portas estão abertas" para os dois países, mas que a decisão final cabe às confederações locais.

Para Joaquim Lo Prete, country manager da Absolut Sport no Brasil, agência multinacional de experiências esportivas, a eventual inclusão de clubes dos Estados Unidos e do México na Libertadores representaria um avanço estratégico significativo para a competição em termos de negócios.

"Estamos falando do acesso direto a dois mercados relevantes em termos de consumo esportivo, que contam com marcas globais e poder de investimento. A entrada de clubes desses países ampliaria a exposição internacional do torneio, atrairia patrocinadores multinacionais que hoje ainda não consideram a Libertadores uma prioridade e abriria novas frentes de receita em direitos comerciais, ativações, hospitalidade e turismo esportivo", comenta.

O executivo, que atua diretamente na logística dessas viagens, reconhece que a questão da distância é um desafio real, mas ressalta que está longe de ser um impedimento.

"O futebol já opera em uma lógica global, com competições que envolvem longos deslocamentos, fusos horários e calendários complexos. Com planejamento, investimento em infraestrutura, ajustes de calendário e coordenação entre confederações e clubes, esses obstáculos podem ser gerenciados. Do ponto de vista operacional e comercial, os ganhos superam os desafios", acrescenta Lo Prete.

Bruno Brum, CMO da Agência End to End, entende que, sob a ótica de negócios e marketing esportivo, esse fator elevaria a competição a um patamar completamente distinto.

"A entrada de clubes dos EUA e do México na Libertadores, especialmente com um ativo global como o Messi, transformaria um produto essencialmente sul-americano em uma propriedade ainda maior, com impacto direto na valorização dos direitos de transmissão, na atração de patrocinadores globais e na geração de novas receitas comerciais", afirma.

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