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Venda de Allan ao Manchester City: Justiça bloqueia repasses do Palmeiras

Por Redação FutVerdão em 28/08/2026 19:43

O Palmeiras e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foram judicialmente notificados a reter repasses financeiros decorrentes da transferência do atacante Allan ao Manchester City. A transação, estimada em aproximadamente R$ 240 milhões, tornou-se alvo de uma disputa judicial que impede o envio direto de qualquer montante ao Figueirense, clube formador que ainda detém direitos sobre o atleta. A determinação da Justiça de São Paulo exige que os valores sejam depositados diretamente em uma conta sob custódia do tribunal.

Tanto a diretoria alviverde quanto a entidade máxima do futebol nacional possuem um prazo estrito de cinco dias úteis, a contar do recebimento oficial dos documentos, para encaminhar um relatório minucioso ao juiz. Nesse documento, deverão constar informações detalhadas sobre as datas de pagamento, os valores exatos da operação e a existência de eventuais direitos de terceiros sobre os recebíveis, sob pena de sanções por descumprimento.

A origem do bloqueio remete a um processo de cobrança iniciado no ano de 2020 pela M&F Investimentos e Participações S/A contra a equipe catarinense. De acordo com os registros processuais atualizados em janeiro de 2025, o débito acumulado do Figueirense junto à credora alcançava a cifra de R$ 8.984.202. Assim que a venda do jovem talento ao futebol inglês foi anunciada publicamente, a empresa credora acionou a Justiça em caráter de urgência para garantir a quitação da pendência.

Implicações financeiras e a divisão dos direitos de Allan

A ordem judicial incide sobre quaisquer ativos, presentes ou futuros, de direito do Figueirense ou de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) que tenham relação com a venda do atacante. Isso inclui tanto a participação econômica remanescente quanto as verbas decorrentes do mecanismo de solidariedade da Fifa. O bloqueio, contudo, é limitado ao teto da dívida cobrada na ação judicial, e as quantias retidas não serão repassadas imediatamente à credora, permanecendo guardadas até a análise de outros possíveis credores.

A engenharia financeira por trás dos direitos econômicos de Allan revela transações anteriores complexas. Pouco antes da realização da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, em junho do ano passado, o Palmeiras desembolsou R$ 1,6 milhão para adquirir 20% dos direitos que pertenciam ao Figueirense. Com essa operação, a equipe de Santa Catarina manteve apenas 10% de participação ativa sobre o futuro do jogador.

Essa fatia restante de 10%, no entanto, já estava previamente comprometida em outras negociações de bastidores. Metade desse percentual (5%) foi repassada a um investidor particular como garantia de um aporte financeiro realizado no ano anterior. Os outros 5% haviam sido utilizados em 2022 para avalizar um empréstimo junto ao Athletico-PR, cuja pendência financeira gira em torno de R$ 8 milhões.

Valores em disputa e o destino dos recursos da venda

Considerando o montante total de R$ 240 milhões acertado com o Manchester City, a parcela de 5% outorgada como garantia equivale hoje a cerca de R$ 12 milhões. O plano original do Figueirense previa utilizar esse recurso prioritariamente para saldar o débito de R$ 8 milhões com o clube paranaense, direcionando o saldo restante de R$ 4 milhões diretamente para o seu fluxo de caixa cotidiano. Esse planejamento agora está suspenso pela decisão judicial.

Abaixo, detalhamos como estão distribuídos os direitos econômicos remanescentes do Figueirense e o impacto estimado dos valores:

Destinação dos Direitos (10% total) Percentual Valor Estimado (R$) Situação Atual sob Decisão Judicial
Garantia de empréstimo (Athletico-PR) 5% R$ 12 milhões R$ 8 milhões destinados à quitação; R$ 4 milhões excedentes retidos em juízo
Compromisso com empresário (Empréstimo) 5% R$ 12 milhões Vinculado a credor particular externo

O imbróglio jurídico evidencia a necessidade de maior rigor na gestão de ativos por parte de clubes parceiros no mercado nacional. Embora o Palmeiras figure apenas como parte repassadora e cumpra rigidamente as determinações legais, o episódio expõe como pendências administrativas alheias ao Allianz Parque podem arrastar grandes transações para os tribunais. O departamento jurídico do Figueirense informou estar ciente da situação e trabalhando no caso, mas optou por não emitir pronunciamentos oficiais neste momento.

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